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O Conto da Ilha Deconhecida, José Saramago

“Não queres vir comigo conhecer o teu barco por dentro, Tu disseste que era teu, Desculpa, foi só porque gostei dele, Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar” (43).

Este diálogo entre o homem do barco e mulher da limpez é curioso. Aqui o narrador usa este diálogo para dar sentido para a palavra, ter.

A mulher, na sua mente, já reivindicou o barco como seu. Ela sabe que vai limpar cada polegada daquele barco. Ela vai investir muito tempo nele. Portanto, ela vê o barco como seu, mas não oficialmente.

O homem do barco fala que o barco é da mulher da limpez porque ela gostou do barco. Isso dá um outro sentido para a palvara ter, em vez de só possuir. A relação entre gostar e ter então é difícil. Ele está falando que alguém pode reivindicar algo porque gosta dele. Na contramão, ele também fala que ter é a pior maneira de gostar. Então, não devemos gostar de algo só porque é nosso. 

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