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Negociações, Luis Fernando Veríssimo

"Depositado na mesa em frente ao secretário-geral, Igor o encara com divertida indiferença, entre pálpebras semicerradas, Tira tragadas indolentes de maconha enquanto o secretário decide como tratá-lo. 

     -- Meu filho...-- experimenta o secretário.

O rato o interrompe. Sua larina artificial, de rayon, produz um som áspero, agravado pela bronquite crônica.

     -- Meu nome é Igor, excelência. Simplesmente, Igor. Minha mãe era uma rata mutante. Meu pai, um  conta-gotas. Não sou seu filho."

Esta parte da crônica mostra algo interessante. O secretário está encontrando o Igor pela primeira vez. Esta reunião é sobre a relação entre os ratos e os humanos. Aqui, o secretário quer mostrar para Igor é os humanos estão acima dos ratos. Com isso, o secretário usa uma frase de carinho para falar para Igor. Igor, contudo, consegue ver que o secretário quer fazer isso e corrige o secretário, falando que o nome dele é Igor e que ele não é o filho dele. 

O uso destas frases no Brasil é comum. Parece ser uma frase de carinho e de um tipo de respeito. Contudo, esta frase também é utilizada como uma maneira para colocar alguém em baixo do outro. 


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